Segunda-feira, Julho 13, 2009

Apelo

Que acabem os e-mails bonitos com a música da Celine Dion em pan-pipe.
Que eliminem para todo o sempre as apresentações de diapositivos com imagens chocantes e frasesinhas estúpidas a lembrar as pessoas de como devem agir perante a sociedade, com mensagens do Dalai Lama e rezas para não-sei-quê, com registos fotográficos acompanhados por musiquinha lamechas e respectiva letra, e que terminam dizendo que temos que enviar para outros tantos sob pena de termos não-sei-quantos anos de azar.
E que parem por favor com os e-mails com aquela frase fantástica "vive este dia como se fosse o último". Mon dieu... Se o dia fosse o último eu não estaria aqui certamente, nem tu aí a ler isto. Nem ninguém estaria a fazer o que normalmente faz. E no final das consequências todas pensadas, que não me apetece escrever porque são muitas, percebi que se assim fosse (se a frase fantástica surtisse efeito) o mundo acabaria.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Fim de tarde feliz

O sol já corre para a outra metade do mundo e eu, aqui da janela, embalo-me em pensamentos enquanto o vejo escapar-se.

Imagino o meu futuro e vejo-o feliz. Colorido e cheio de vida. Saudável e resistente a qualquer tempestade, qual terramoto destruidor de sonhos. Vejo-te nele, no meu futuro. Somos felizes. Compreendemo-nos mutuamente e repeitamo-nos. Ajudamo-nos um ao outro e tudo é transparente como os vidros das nossas janelas que, quando baços, limpamos com afinco para que a luz do sol entre sem impedimentos nesta nossa casa.
É uma casa bonita. Reflecte o nosso eu, o teu e o meu em sintonia profunda. Nada foi escolhido ao acaso e tudo tem o seu lugar - aprendi-o contigo, a definir um sítio para cada coisa. As cores são calmas e inspiram ao sossego que procuramos quando finda mais um dia.

O cheiro da cozinha atrai a minha atenção e aproximo-me. Ali estás tu, meu amor, a preparar um dos nossos pratos favoritos ao som do Tom. Balanço-me para ti e rodopiamos abraçados numa imensidão de bem-estar e serenidade que faria qualquer um por nós se apaixonar.
Jantamos e fazemos amor. Eis que o pleno da felicidade é atingido uma vez, e outra, e outra e no fim de contas não somos dois mas quatro a partilhar esta maravilha que é a nossa vida.

Debruço-me na janela e fico a ver-te passar. Constato que estou de verdade apaixonada por ti. E que esta é a vida que quero para nós.

E quero-te muito, até ao fim dos nossos dias.

Quinta-feira, Abril 30, 2009

"Obrigado Tum'A"

não acredito q a despedida seja eterna... toda a gente volta sempre q pode.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Finalmente

As tão merecidas férias. É já daqui a 3 horas.

Quarta-feira, Março 18, 2009

Pesadelo

Além do facto de estar, com muita urgência, a precisar de férias, coisa que não tenho há 1 ano, estou saturada de tudo o que me rodeia. A minha vida assemelha-se a um pesadelo. Talvez seja a altura do mês que, estando em nada ligada a alterações hormonais, está a ser propícia a estes maus sentimentos em mim.

A tuna põe-me maluca e stressada. A cada dia que passa fico com menos vontade de trabalhar para o que quer que seja. Hoje não vou ao ensaio e também não vou à actuação no sábado. Não me apetece, não tenho paciência, não consigo digerir o estado das coisas. Preciso de fazer uma pausa para mim e por isso vou ficar em casa, sozinha, este fim de semana.

Ontem cheguei a casa às 20h15, estoirada, pousei a lancheira do almoço, lavei a loiça do jantar da noite anterior, lavei a minha almoçadeira. Não estava ninguém em casa. Peguei na carteira e saí. Encontrei-me com o Paulo e estivemos numa reunião com o Simão na Esecs a pensar a apresentação do festival. Cheguei a casa às 21h30 e ele estava a fazer o jantar dele. Teve o descaramento de me perguntar se eu já tinha jantado (vá-se lá saber onde e com quem, como se não jantar com ele fosse algo banal na minha vida) e se eu ainda ia "prá tal reunião".
Chegou a casa a casa e viu que eu já tinha lá estado, e se não reparou nisso tudo fica um pouco mais negro. Não me tinha ligado a perguntar onde estava, não me ligou a perguntar como seria do jantar como faz sempre.
Vinha cheia de fome mas perdi a vontade de fazer comer. Aqueci uma tijela de sopa e não lhe dirigi a palavra. Fui tomar banho e não lhe dirigi a palavra. Fui-me deitar, no meu quarto, e não lhe disse boa noite.
Hoje de manhã estava terrivelmente triste porque o adoro, porque não esperava uma coisa daquelas da parte dele e porque me custou mais a mim do que a ele todo o desprezo que lhe dei em troca do sucedido ao jantar. Fui ao quarto dele e dei-lhe um beijo na face, imediatamente as lágrimas escorregaram dos meus olhos. Não dei parte fraca e vim-me logo embora.

Só sei que não mereço isto.
Começo a ficar farta da vida que tenho.

Sexta-feira, Março 06, 2009

Lamento não conseguir cumprir o que disse

no dia 6 de Fevereiro, cujo título é de antemão preocupante.

Hoje vou até lá ver se o fumo é branco ou azul ou verde ou cinzento.

Quinta-feira, Março 05, 2009

Rigor e Solidez

Quando penso que poderia fazer doutra forma (entenda-se melhor, com maior precisão, bem estruturado, organizado) fico triste. Triste. Diria até muito triste. E esta tristeza tem uma causa: pouca compreensão.

Esgota-se-me a força e a vontade, e o que sobra talvez não chegue pra me fazer ter vontade de um dia tentar outra vez. Sinto-me desacreditada. E jamais poderei explicar-lhes o que é sentir isso porque ninguém iria entender. A compreensão foi há muito posta de parte.

Louvo a música, essa sim faz-se ouvir e quem a constrói tem o meu apoio. Estamos a progredir, juntos. E fico mais triste. O que vejo hoje poderia já ter começado há mais tempo e, por muito que me esforce, não consigo perceber como é que o ódio a uma pessoa levou as pessoas a penalizarem uma instituição. Se isso fosse correcto eu hoje não estaria lá a dar o meu suor, a sorrir quando me apetece chorar, a partilhar a alegria quando me preenche a tristeza, a trabalhar com aqueles que no passado me negaram o que hoje eu lhes dou.

O que vejo naquela sala, quando estamos todos e tudo corre bem, atira-me ao chão e faz-me sentir espezinhada. Apetece-me chorar, gritar, bradar-lhes que aquilo poderia ter sido o cenário de sempre no passado. No meu passado. Só que a pouca compreensão não os deixou colaborar, e agora, qual mudança de trajecto a 180º, lá estão, imaculados e luminosos como se essa atitude fosse deles desde sempre. Não quiseram compreender.

Entristece-me que exista um sentimento de glória por comparação a quem odeiam. Mais uma vez sinto-me desacreditada e espezinhada. Que lugar terei eu ali? Por vezes sinto-me usada por necessidade e não por gosto de me terem. E, perdoem-me o cansaço, fico triste.

Pergunto-me, que amor é este que não me deixa vingar esta tristeza que me assola. Não amasse eu tanto a caneca por onde, sôfrega, bebo e os meus dedos descansariam enfim, e tudo passaria a recordações. Para não mais ter de suportar a tortura de não poder ser espontaneamente quem sou. Se fosse, mais uma vez, a compreensão perder-se-ia. Como sempre.